domingo, 12 de junho de 2011

Proposta final

A proposta apresentada foi a que escolhi para posteriormente realizar em cerâmica.
O meu mundo, representado pela peça convexa/côncava que se encontra num plano superior ao mundo real, representado pela peça ‘’picada’’, tem diversos buracos com o objectivo de se ver o mundo real por baixo. A peça ‘’picada’’, o mundo real, assim o é de forma a representar o mar de incertezas e dificuldades descrito no conceito. Assim, e como reflexo deste mesmo mundo, o meu mundo, ou seja, a peça convexa/côncava tem também ele uma forma idêntica do lado que se encontra virado para a outra peça.



Representação gráfica




Fase criativa


Pesquisa


“Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é o desumano, porque o humano é imperfeito.”
Fernando Pessoa

O meu conceito


Hoje é o dia em que vou ultrapassar os limites do céu e vou ao céu no céu, o meu céu. Voo até cá bem acima e daqui vejo tudo como realmente é, o meu mundo perfeito e por baixo, vejo de relance aquele mar de incertezas e dificuldades que é o mundo real lá em baixo, e do qual eu tantas vezes faço parte. Mas, durante esta viajem onde não há lugar para preconceitos e ilusões, a vista vai-se alterando, assim como o meu mundo perfeitinho… Tenho a sensação de me encontrar em frente a um lago a observar o meu reflexo distorcido na água, rodeada por um mundo real também ele distorcido… Perfeito porquê? Para quê? Como?! Eu própria não sou perfeita, nenhum de nós o é, como é que o meu mundo, uma parte de mim, poderia ser? Não é perfeito, porque eu não sou perfeita … sou simplesmente um reflexo do que me rodeia, e o meu mundo é um reflexo de mim.

Vais agora caminhar pelo mundo…

«(…) Queria ir ao encontro do gerente, que, em pose ridícula, estava já no patamar da escada, agarrado com ambas as mãos ao corrimão. Mas, ao tentar encontrar um apoio, caiu imediatamente, com um pequeno grito, sobre as muitas patas. Mal isto aconteceu, sentiu, pela primeira vez nesta manhã, uma sensação de bem-estar físico: as perninhas estavam bem assentes no chão, obedeciam perfeitamente, como ele, para sua alegria, pôde constatar. Até sentia como elas estavam dispostas a levá-lo aonde quisesse ir, e convenceu-se de que a cura definitiva de todos os seus males estava próxima. (…)»
A Metamorfose”, Franz Kafka
Vais agora caminhar pelo mundo… Por onde andas e o que encontras?