No passado dia 19 de Outubro de 2010, pelas 13:30h, a turma E do 10º ano visitou a exposição ‘’A culpa não é minha’’, no Museu Berardo, no âmbito da disciplina de Projecto e Tecnologias. Através de uma visita guiada, tinha-se como principal objectivo o contacto com a arte contemporânea.
| Escultura de Joana Vasconcelos |
Uma das obras que mais me chamou a atenção foi a obra ‘’Verses’’, de Noé Sendas, na qual diferentes tipos e tamanhos de espelhos pendurados na parede reflectiam um personagem sentado, ao que parecia, num banco de piano.
Este tinha a cara tapada com as mãos e sob o seu pé encontrava-se mais uma pilha de espelhos, o que transmitia uma ideia de aprisionamento interior, perturbação e até um certo medo por parte da figura de enfrentar o seu reflexo.
Após alguns momentos de conversação, considerámos a ideia de os espelhos poderem representar as memórias do personagem. Havendo espelhos mais antigos e alguns ainda por pendurar (memórias mais recentes), esta ideia remetia para o medo de enfrentar as próprias memórias e recordações. Os espelhos pisados pela figura podiam simbolizar memórias que este queria esconder, por medo ou vergonha, ou memórias demasiado importantes para deixar fugir.
Já no final da exposição, surgiu a obra de Susanne Themlitz, intitulada ‘’O estado do sono’’.
Sendo que a artista faz as suas obras de acordo com o espaço que lhe é concebido, as suas obras invadem a divisão de tal maneira, que o observador entra nestas e é obrigado a parar e a observar. Este facto explica ainda a escolha do título da obra, que pode remeter para a ideia de andarmos a ‘’dormir em pé’’, no sentido das coisas nos passarem ao lado e nós nem sequer repararmos nelas.
A obra era constituída por diversas figuras e estacas que lembravam algo em construção, inacabado e, devido à disposição das mesmas, algo fora do controle. Podíamos ainda interpretar as estacas como os sonhos ou as memórias mais superficiais e as caixas que num canto se encontravam, como a parte mais recatada da nossa mente.
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