terça-feira, 9 de novembro de 2010

‘’Há pessoas que chegam ao final da vida sem se conhecerem completamente’’ disse a minha professora de Português hoje. Como? Pergunto eu … Não nos conhecermos a nós próprios? Parece impossível chegarmos ao final das nossas vidas e não sabermos do que somos capazes … só esse pensamento em si me é ridículo. Somos capazes de tudo … por muito bom que alguém seja é capaz das coisas mais impensáveis se as condições assim lhe permitirem … Não se conhecer e não saber do que se é capaz, é nunca ter arriscado! Nunca se ter descoberto a si mesmo e só nos conseguimos descobrir se arriscarmos na vida … Eu quero conhecer-me, quero saber que sou capaz de viver sem os meus suportes na vida, quero ser livre … quero ARRISCAR!

Mas é preciso arriscar .

« (…) Já sete horas”, disse para consigo ao ouvir de novo o despertador, “já sete horas e um nevoeiro destes.” E durante uns instantes ficou quieto, respirando baixinho, como se esperasse do silêncio absoluto a reposição da situação real e natural. (…) preparou-se para balançar o corpo a todo o comprimento, fazendo-o cair assim de uma vez de cima da cama. Se se deixasse cair desta maneira, a cabeça, que ele levantaria ao máximo ao tombar, não devia sofrer nada. As costas pareciam ser duras, e não lhes aconteceria nada se caíssem em cima do tapete. O que mais o preocupava era a ideia do estrondo que isso iria provocar, e do susto, ou pelo menos da preocupação que tal baque iria causar atrás de todas as portas. Mas era preciso arriscar. (…)»                                                                                                                                        “A Metamorfose”, Franz Kafka

Mas é preciso arriscar... e tu, o que estás disposto a arriscar?
O que estarei eu disposta a arriscar? Diria que os meus suportes... aqueles que me dão estabilidade na vida e que estão incessantemente presentes. Aqueles que me dão segurança e que, por mais que eu negue, me são essenciais. Esses suportes são as pessoas mais importantes à minha volta, a minha família e amigos. E se de repente eles desaparecessem e eu estivesse completamente sozinha num lugar totalmente novo?! Perderia essa estabilidade e segurança …. Perder-me-ia? Talvez não sei … mas estou disposta a arriscar pela minha felicidade!  Como Sócrates dizia ‘’só sei que nada sei’’ … é preciso arriscar para saber.

3 palavras: suporte, perder, labirinto

lugares novos são como labirintos para nós ... é preciso arriscar para descobrir a saída e mais tarde vaguear por eles sem medo

Exposição ''A culpa não é minha''

No passado dia 19 de Outubro de 2010, pelas 13:30h, a turma E do 10º ano visitou a exposição ‘’A culpa não é minha’’, no Museu Berardo, no âmbito da disciplina de Projecto e Tecnologias. Através de uma visita guiada, tinha-se como principal objectivo o contacto com a arte contemporânea.

Escultura de Joana Vasconcelos

 
















Uma das obras que mais me chamou a atenção foi a obra ‘’Verses’’, de Noé Sendas, na qual diferentes tipos e tamanhos de espelhos pendurados na parede reflectiam um personagem sentado, ao que parecia, num banco de piano.
Este tinha a cara tapada com as mãos e sob o seu pé encontrava-se mais uma pilha de espelhos, o que transmitia uma ideia de aprisionamento interior, perturbação e até um certo medo por parte da figura de enfrentar o seu reflexo.
Após alguns momentos de conversação, considerámos a ideia de os espelhos poderem representar as memórias do personagem. Havendo espelhos mais antigos e alguns ainda por pendurar (memórias mais recentes), esta ideia remetia para o medo de enfrentar as próprias memórias e recordações. Os espelhos pisados pela figura podiam simbolizar memórias que este queria esconder, por medo ou vergonha, ou memórias demasiado importantes para deixar fugir.


Já no final da exposição, surgiu a obra de Susanne Themlitz, intitulada ‘’O estado do sono’’.
Sendo que a artista faz as suas obras de acordo com o espaço que lhe é concebido, as suas obras invadem a divisão de tal maneira, que o observador entra nestas e é obrigado a parar e a observar. Este facto explica ainda a escolha do título da obra, que pode remeter para a ideia de andarmos a ‘’dormir em pé’’, no sentido das coisas nos passarem ao lado e nós nem sequer repararmos nelas.
A obra era constituída por diversas figuras e estacas que lembravam algo em construção, inacabado e, devido à disposição das mesmas, algo fora do controle. Podíamos ainda interpretar as estacas como os sonhos ou as memórias mais superficiais e as caixas que num canto se encontravam, como a parte mais recatada da nossa mente.








meu produto final!

No que toca a materiais têxteis, como pode ser observado na imagem, utilizei os básicos como linhas, botões e diversos tecidos e ainda adicionei paus e folhas como uma forma de incentivar as pessoas a sentir e a tocar no projecto.

Representação gráfica





A minha proposta final passa basicamente pela diferença de materiais, cores e formas que se unem num ponto. Pretendia deste modo transmitir a compreensão e a diferença através desta união destas diferenças

Fase criativa



Uma das minhas propostas criativas ...

As minhas inspirações ...

Metamorfose


A própria escultura em si e o suporte sugerem uma diferença um tanto inesperada
A união passa pela compreensão e aceitação do outro...